Que sardades da véia roça, meu sinhor!
Medo? medo de ladrão
Lá nois tinha não sinhor!
Pavó mermo era de cobra cascaver,
onça braba e di assombração
Acougue? Lá nois tinha não sinhor!
Carne pra nois era mermo ovo,
e galinha que a muié fazia.
E se enjuasse, alzor na água nois jogava
para um peixinho tentar pegá.
Café da manhã nosso, era arroz
remechido com ovo.
O leite era tirado bem cedo da vaca malhada,
nois fervia pra um baita copão tomá
Ventiladó? Lá nois tinha não sinhor!
A janela durmia aberta, pra rede refrescá
Celulá? Lá nois tinha não sinhor!
Quando pricisasse telefoná
Na vila nois ia pra o orelhã usá
Computadô? Lá nois tinha não sinhor!
O radim com pilas, e intena de bambu,
nois conseguiá ouvi nutiças
Despertadó? Lá nois tinha não sinhor!
O véi galo qui cantava as horas pra nois
Geladera? Nois não tinha não sinhor!
Cumida nois fazia pru dia, e o pexe nois sargava
no varar
Água incanada nois tinha, purque a roda di água
do rio nois puxava
I pra bebe no véio filtro de barro nois bebia
Moto? Nois tinha não sinhor!
O cavalo manso nois arriava e todo aprumado
ele corria
Que sardades da véia roça
Antes do sor sair, a inchada o facão
nos ombro colocavá
Banana, laranja, mamão, chuchu, abacaxi, quiabo,
melancia, abobora, e mandioca nois plantava
Que sardades seu moço da véia roça!
Que o cansaço e a saúde tirou
E pra pertó do meus fís na cidade
nois fumos morar
I pensando na véia roça sinto sardades,
daquele tempo, que os mermos ventó
que para lá me soprava,
esse também di lá nos levó.